terça-feira, 8 de setembro de 2009

Uma geração sem ídolos



Trabalhar com adolescentes me dá a dimensão total do que foi o mundo em que vivi há exatos 25 anos atrás... Éramos menos alienados, não por excesso de informação, mas por pura consciência... vivíamos mais... entregues a um mundo onde ainda se permitia andar nas ruas até horas adiantadas e sorrir de volta pra um desconhecido sem correr o risco de estar se expondo demais.

Fomos uma geração mais cor de rosa, menos noturna, mais cinema no sábado à tarde, festinhas dançantes na casa de amigos, mais clube da esquina e sorvete na São Domingos...

Não recebíamos notícias imediatas na hora do fato ocorrido, não falávamos com nossos amigos em frações de segundos, não colocávamos em diários eletrônicos nossas últimas ações... mas sabíamos de Fidel, Che, AI5, Caetano e Chico e assistíamos à buzina do Chacrinha... e não a realities shows e outros programas abusivos da natureza humana... ouvíamos músicas de protesto... mas também muito rock... bossa nova...músicas tocadas no violão no fim de tarde na casa de alguém da turma...

Tínhamos Airton Senna, Tom Jobim, Michel Jackson, Beatles, Janis Joplin e tantos outros que nos deram um gosto apurado por coisas boas... eram reais e não covers... acreditávamos em um mundo mais terra, menos tecnológico... aquecimento global era tão ficção como o romance de George Orwell... e a palavra natureza não gerava polêmica... era tudo natural... fácil... acessível... tínhamos noção da lua como nosso satélite e não pensávamos que um dia tudo seria monitorado por tantos outros artificiais....

Paquerávamos um pouco mais timidamente ou talvez nem isso... dançávamos de rostos colados... e ficar era um verbo conjugado no seu sentido real e possivelmente esperávamos que um flerte durasse mais que algumas horas... acreditávamos em amor livre, mas sonhávamos com amor eterno...

Foram tempos deliciosos... totalmente distantes dessa parafernália da qual somos vítimas voluntárias neste nosso agora... Ainda há aqueles que se negam a ter uma conta de e-mail, deixar de lado o vinil e passear por aí com um aparelho moderno de telefone celular... a esses rendo homenagens ou desejo que procurem urgentemente ajuda psicológica...

O que sei é que apesar dessa geração moderna do século XXI... cercada de utilidades – hiper...supernecessárias - inimagináveis no “nosso tempo”... os nossos jovens de hoje curtem o rock dos nossos anos... consagram nossas ideias... referenciam os nossos ídolos... e sentem a nostalgia de um tempo que nunca conheceram...

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